sexta-feira, 11 de novembro de 2011

titanic!

A Tragédia do "Titanic" 
O fato e as conseqüências, um ano depois
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       Na noite de 14 de abril de 1912, o "Titanic", transatlântico "insubmergível" que fazia sua primeira viagem, chocou-se contra um iceberg e foi ao fundo do mar em poucos horas. No dia seguinte, 15 de abril, o The New York World registrava a tragédia: Titanic Strikes an Iceberg, Begins to Sink at Head (Titanic bate num iceberg, começa a afundar pela proa).
A primeira notícia

A primeira notícia
       Segundo as informações, o primeiro pedido de socorro por radiotelegrafia teria sido captado às 10h 25min da noite do dia 14. Os últimos, aos 27 minutos do dia 15.
Os pedidos de socorro

Os pedidos de socorro
Os pedidos de socorro
Os pedidos de socorro
       O "Virginian" teria sido o primeiro navio a atender ao pedido do "Titanic".
O "Virginian" parte em socorro

O 'Virginian' parte em socorro
O 'Virginian' parte em socorro
       Várias pessoas famosas e ricas estariam no navio, segundo as notícias. E havia esperança de que um pronto resgate fosse realizado, já que várias embarcações se encontrariam próximas do local da tragédia.
Esperança para ricos e pobres

Esperança para ricos e pobres
Esperança para ricos e pobres
Esperança para ricos e pobres
       Na mesma edição, o jornal mostrava a imagem de iceberg e informava sobre o perigo que também rondava a viagem de outros navios passando pela mesma região.
Os "icebergs assassinos"

Os 'icebergs assassinos'
       Em 16 de abril, o World dava aos leitores a extensão real da tragédia: Titanic Sinks; Fear 1,500 Lost (Titanic afunda; Teme-se a perda de 1500 vidas).
A consumação da tragédia

A consumação da tragédia
       Assim o New York Tribune registrou a tragédia, no mesmo dia, incluindo um desenho que mostrava um barco salva-vidas afastando-se do transatlântico que afundava.
Manchete do "New York Tribune"

Manchete do 'New York Tribune'
       As notícias informavam sobre o desespero dos parentes dos passageiros e mostravam que, um dia depois da tragédia, pouco se sabia sobre o número de vítimas e de sobreviventes, porque vários navios haviam efetuado o salvamento.
A incerteza dos parentes

A incerteza dos parentes
       O jornal conseguiu identificar o operador responsável pelo sinal "S.O.S.", último enviado pelo "Titanic" antes de afundar.
O último sinal do "Titanic"

O último sinal do 'Titanic'
       Em Londres, muitas pessoas ainda não tinham tomado conhecimento da extensão da tragédia. E os jornais já começavam a discutir modos de se contornar problemas semelhantes no futuro. Uma das idéias seria equipar todos os navios com luminosos que permitiriam enxergar icebergs em alto-mar.
Evitando icebergs

Evitando icebergs
       Segundo especialistas da marinha britânica, a profundidade média do lugar onde afundara o "Titanic" era de 2000 milhas.
O "Titanic" no fundo do mar

O 'Titanic' no fundo do mar
       No mesmo jornal apareceu uma notícia curiosa sobre as tentativas desesperadas de comunicação com o navio. As trocas de mensagens entre as autoridades náuticas e o transatlântico acabaram sendo atrapalhadas pela interferência de amadores, cuja participação voluntária criou estática nas transmissões, a um ponto "incomum".
Muita ajuda atrapalha

Muita ajuda atrapalha
       Veja agora as notícias publicadas no jornal The World, um ano depois da tragédia. A primeira matéria, intitulada "Icebergs Novamente um Perigo", relatava o avistamento de icebergs no Atlântico Norte, próximos ao local de naufrágio do transatlântico. Entre as informações, o número aproximado de mortos (1500) e as coordenadas do local da tragédia.
Um ano depois

Um ano depois
Um ano depois
       A segunda imagem revela um fato não muito conhecido. O "Titanic" era um dos dois navios construídos pela mesma companhia, ambos pretensamente insubmergíveis. O navio "irmão" chamava-se "Olímpico". Essa embarcação teve de ser reformada antes mesmo do lançamento, para eliminar as deficiências expostas pelo desastre. O título da matéria: "Olímpico, Reconstruído com Base nas Lições Ensinadas pelo 'Titanic', Aqui (em Nova Iorque)". O subtítulo: "Experts que examinaram o grande navio declaram que ele é quase tão insubmergível quanto qualquer navio possa ser". O preço das alterações: um milhão e quinhentos mil dólares. Além do reforço do casco, outra modificação introduzida foi, evidentemente, o aumento do número de salva-vidas.
O "irmão" do "Titanic"

O 'irmão' do 'Titanic'
O 'irmão' do 'Titanic'
       Na mesma linha, outras grandes empresas náuticas da época aproveitavam a lição e tratavam de reforçar a segurança de suas embarcações. Na matéria "Segurança no Mar um Ano Após o Naufrágio do Titanic", o jornalista ressaltava os esforços feitos por aquelas empresas e quantificava o aumento do número de salva-vidas em cada um dos principais transatlânticos. "Assustado com o horror da maior tragédia marítima, o mundo civilizado iniciou uma ávida busca pelas causas e por meios de salvaguardar o futuro".
O reflexo nas medidas de segurança

O reflexo nas medidas de segurança
O reflexo nas medidas de segurança
O reflexo nas medidas de segurança
      O título do terceiro recorte acima é "Aumento da capacidade de salva-vidas desde a data do desastre do Titanic".

      Um ano após o naufrágio do "Titanic", as discussões não se resumiam à segurança no mar. A questão jurídica envolvendo parentes de vítimas e seguradoras, além da situação dos sobreviventes, também eram notícia no jornal The World. Na matéria "Crianças Abandonadas do Titanic Passam Necessidade", o jornalista contava que duas crianças francesas que viajavam com o pai, morto no acidente, tinham sido salvas por uma norte-americana e depois cuidadas por ela no "Carpathia", navio que recolheu os sobreviventes. Entretanto, passado um ano, nenhuma ajuda havia sido oferecida pela companhia às crianças e à mãe, que viviam em estado de indigência na cidade de Nice. Por causa disso, a mãe teria decidido acionar os responsáveis, pedindo 30 mil dólares de indenização.
Os deserdados do "Titanic"

Os deserdados do 'Titanic'
      A matéria também continha outra informação interessante: os prejudicados pela tragédia tiveram apenas um ano para fazer queixas legalmente válidas. Os dias que antecederam o final do prazo (15/4/1913) foram férteis em matérias sobre as ações penais.
As ações indenizatórias

As ações indenizatórias
As ações indenizatórias
As ações indenizatórias
      Espertamente, as seguradoras tentaram estabelecer um teto para a indenização. A manobra foi frustrada pela decisão tomada pela Justiça norte-americana, determinando que o naufrágio, embora ocorrido em alto-mar, deveria ser tratado como qualquer outro que tivesse ocorrido nos portos da Inglaterra.
A decisão da Justiça

A decisão da Justiça
      Nas preparações para o "Dia do Titanic", o jornal The World relatava a intenção de se construir uma torre com um farol para lembrar a tragédia, no Seamen's Institute em Nova Iorque. Vários milionários já haviam contribuído financeiramente para o projeto, entre eles o banqueiro J. P. Morgan, falecido no início daquele mês.
O Memorial do Titanic

O Memorial do Titanic
      Afinal chegara o dia histórico: o aniversário de um ano da tragédia. Embora o transatlântico tenha batido num iceberg na noite de 14 de abril de 1912, o naufrágio só se consumaria nas primeiras horas do dia 15, daí a escolha da data para as solenidades realizadas em Nova Iorque. O jornalThe World (O Mundo) veiculou matérias especiais sobre a data.

      A primeira imagem refere-se à cerimônia religiosa mais importante do dia, marcada pela presença de sobreviventes e pelo lançamento do monumento em lembrança da tragédia, um farol que ainda seria construído naquela cidade. O título da matéria: "Elogios aos Heróis do Naufrágio do Titanic em Cerimônias Religiosas".
O aniversário da tragédia

O aniversário da tragédia
O aniversário da tragédia
O aniversário da tragédia
      Bem longe dali, no mesmo local onde o transatlântico naufragara, mais de 1000 passageiros e tripulantes do "Mauritânia" faziam uma homenagem às vítimas: "Flores ao Mar Onde o Titanic Afundou". O subtítulo: "No Aniversário do Desastre, Lembrança da Senhora Harris e uma Outra (Lembrança) são Lançadas do Mauritânia".
A homenagem do "Mauritânia"

A homenagem do 'Mauritânia'
A homenagem do 'Mauritânia'
A homenagem do 'Mauritânia'
      Dizia o texto: "Quando o Mauritânia, navio da Cunard, que chegou ao porto ontem, atingiu em 15 de abril o ponto onde o Titanic havia naufragado exatamente um ano antes, o grande navio diminuiu a velocidade. Benno Neuberger, um passageiro, andou até o parapeito e lançou duas coroas de flores ao mar. Uma delas tinha sido dada pela senhora Henry B. Harris, viúva de um gerente teatral que perdeu a vida no Titanic; a outra era um lembrança oferecida pelo Asilo Infantil Hebraico. O senhor Neuberger é presidente do Asilo e a senhora Harris, uma de suas diretoras".

      Outro sobrevivente foi objeto de comemorações. A matéria: "Celebra-se o Resgate de um Habitante de Bayonne que Estava no Titanic". O texto: "Amigos e parentes de Thomas McCormack, da rua West Nineteenth, Bayonne, Nova Jersey, ofereceram uma recepção a ele na noite passada para celebrar seu resgate no desastre do Titanic. McCormack estava a caminho de casa depois de visitar seus parentes na Irlanda e pulou do navio. Ele agarrou-se à borda de um dos botes salva-vidas, sendo puxado para dentro por duas jovens mulheres, que evitaram que os marinheiros batessem nele com os remos na tentativa de jogá-lo de volta ao mar".
O sobrevivente da tragédia

O sobrevivente da tragédia
O sobrevivente da tragédia
      O destino dos oficiais do transatlântico também atraiu a atenção da imprensa, naquele momento. Um deles havia sido promovido e outro, degradado. Um caso curioso refere-se a um oficial que deixara a atividade por ... deficiência visual, revelada num exame de rotina. Mas a investigação revelou também que o fundo de indenização, então com quase dois milhões de dólares, estava tendo uma valorização estranhamente baixa. Seu curador era alvo de "severas críticas". Uma delas referia-se ao prazo total proposto para a distribuição do fundo: 40 anos.
O destino dos oficiais e do fundo de ajuda

O destino dos oficiais e do fundo de ajuda
O destino dos oficiais e do fundo de ajuda
O destino dos oficiais e do fundo de ajuda
      O jornal The World publicou um resumo dos acontecimentos relativos ao "Titanic", em 16 de abril de 1913. Eis o texto:
  • O "Titanic", o navio "insubmergível" da companhia White Star, na viagem inaugural, comandado pelo Capitão Smith, bateu num iceberg por volta de 10h 30min da noite de domingo, 14 de abril de 1912, à velocidade de 22 nós por hora.
  • Afundou cerca de 4 horas mais tarde.
  • Mensagens radiotelegráficas solicitando ajuda foram recebidas pelo navio "Carpathia", comandado pelo Capitão Rostron, que resgatou 703 pessoas. Foram esses os únicos sobreviventes. Eles incluíam J. Bruce Ismay, diretor-gerente da companhia White Star.
  • Número de pessoas afogadas: 1517.
  • Custo do Titanic: US$ 7.600.000; perdas totais por volta de US$ 15.000.000.
  • A corte britânica e o Comitê de Investigação do Senado Norte-Americano condenaram os responsáveis pelo navio devido à falta de salva-vidas no "Titanic".
  • O desastre resultou num aumento geral do número de salva-vidas em navios por toda a parte e na adoção de medidas para proteger embarcações e passageiros.
O efeito positivo da tragédia

O efeito positivo da tragédia
       Na sua seção de novidades literárias, o World registrou o lançamento do primeiro livro sobre a tragédia, escrito por um sobrevivente: "A Verdade Sobre o Titanic", de autoria do coronel Archibald Gracie, já falecido à época do lançamento.
Livro sobre a tragédia

Livro sobre a tragédia
       É muito conhecida (e explorada em filmes e livros) a suposta "maldição de Tutancâmon". Em resumo: quando o suntuoso túmulo do faraó foi descoberto em 1922 pelos ingleses, esses também teriam tomado conhecimento de uma inscrição em suas paredes que lançava uma maldição sobre aqueles que violassem o túmulo. Uma série de mortes ocorridas com os participantes da expedição, a começar do próprio chefe dela, Lord Carnavon, fez correr entre o povo e a mídia a história da maldição. No jornal Los Angeles Express, de 21 de fevereiro de 1930, uma dessas estranhas mortes foi relatada em conexão com a crendice.
A maldição de Tutancâmon

A maldição de Tutancâmon
       A matéria, de título "A Maldição do Rei Tut Leva Nobre a um Salto Suicida", informava sobre a morte de Lorde Westbury, que se jogara do sétimo andar de um edifício, supostamente torturado pela morte de seu filho e pela obsessão com a maldição de Tutancâmon. O filho de Westbury, Richard, tinha sido secretário do arqueólogo descobridor do túmulo, Howard Carter. A própria matéria, embora explore a lenda, afirma que o filho do Lorde morrera de causas naturais. Seria a décima morte de envolvidos com a descoberta e a violação do túmulo, série iniciada com Lorde Carnavon, financiador da expedição, falecido duas semanas após a abertura do túmulo.

       Estranhamente, o principal responsável pela descoberta, Howard Carter, continuava vivo e ainda passaria mais 9 anos explorando os tesouros da tumba de Tutancâmon.

       A exemplo da suposta maldição de Tutancâmon, teria havido, antes dessa, a "maldição do Titanic"? A imprensa não explorou o fato, mas o jornal The World publicou uma curiosa notícia que poderia ter dado origem a mais uma lenda. No próprio dia em que o mundo lembrava as vítimas do "Titanic", falecidas havia um ano, o fundador da companhia responsável pela construção do transatlântico era submetido a uma cirurgia em Londres, vindo a morrer das complicações dela, dois dias depois. O título da matéria: "Wolff, Construtor de Navios, Morre em Londres". O subtítulo: "Seu Fim Seguiu-se a uma Cirurgia Feita no Aniversário do Naufrágio do Titanic":
A maldição do "Titanic"?

A maldição do 'Titanic'?
A maldição do 'Titanic'?
       Maldição para alguns, sorte para outros. É um fato muito pouco divulgado que o pai do presidente de honra da Fifa, João Havelange, havia comprado uma passagem para a primeira viagem do "Titanic". Ao chegar atrasado ao porto de Southampton, descobriu que perdera o navio. Só mais tarde, ao ouvir as notícias sobre o desastre, soube que ganhara a vida.

       Na próxima página, conheça o jornal The World (O Mundo), no qual foram publicados os primeiros jogos de palavras cruzadas, em 1913.

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